terça-feira, 18 de junho de 2013

Da Revolução e outros feitos.


                O dia mais temido pelos governantes chegou... Depois de um longo inverno de manifestações, as camadas sociais se uniram para ter voz. Pegaram suas armas: ideias, coragem, sonho e foram encarar a realidade do nosso país. Acordaram para a realidade que nos envergonha desde que fomos colonizados. Perceberam que sem luta não há justiça, não há paz, não há cidadania. Finalmente o grande dia chegou! Infelizmente, como em toda revolução, há os que apoiam os ditadores, há aqueles que acham que nada irá mudar, há os que adiam a luta por desmerecê-la. Não nos incomodemos com estes, serão os primeiros a bajular quem tiver o poder, e gente assim, nem merece nossos ouvidos.
                Senti-me muito orgulhosa na noite de ontem, assistindo as cenas de gente que lutava pela esperança de dias melhores em nosso país. Não era um manifesto pelo preço das passagens como vivenciamos ano passado em algumas cidades, ou um manifesto isolado dos inconformados com essa sujeira, que convivemos há tantos anos; era um despertar. Infelizmente também como em toda revolução, houve os extremistas que acreditam mais na força de uma tapa (ou depredação) do que na força das ideias. O fato é que a força das ideias e da união de um povo falou mais alto. Estamos vivenciando há vários dias o despertar da voz popular, a volta da nossa força que se sustenta em justiça, cidadania, igualdade, honestidade.
                Quem diz que o povo brasileiro é corrupto e que gosta de políticos corruptos é um alienado. Alguém que pensa assim foi oprimido e teve sua voz arrancada. Como todo agressor faz com sua vítima, o governo sujo tenta fazer o povo acreditar que é o grande culpado pela sujeira e corrupção praticada pela minoria dominante e opressora. O povo não gosta de sujeira, ele apenas acredita e tem boa-fé quanto aos canalhas eleitos que traem o voto recebido. O povo sempre deixou claro o quanto sonha com um país justo, sem miséria, sem analfabetismo, sem segregação. Tanto que a maior qualidade do nosso país é o nosso povo! A grande crueldade desses bandidos que deixaram nosso país como está (repleto de enormes problemas sociais) são as promessas feitas e as medidas resolutivas de curta duração executadas. Fazem os eleitores acreditar em sua bondade e retidão moral para depois (somente depois) mostrarem quem são. E o povo oprimido e alienado acredita e por mais 4 anos sofre. Ainda bem, que a educação e senso crítico foram democratizados, ambos por tanto tempo distanciados dos marginalizados da sociedade, agora estão acessíveis e avançando a largos passos rumo ao alcance de todos.
                Obviamente, nunca haverá um consenso quanto às revoluções... Ainda bem! Isto prova a nossa liberdade de expressão e pensamento! Mas o sentimento que moveu aquelas milhares de pessoas ontem não morrerá tão fácil, nem tão cedo. Posso dizer ao meu filho que o mundo está ficando melhor, que não me envergonharei da realidade que será entregue a ele. Pois um povo que clama pelos seus direitos, um povo que reage às opressões é um povo que merece o respeito de todos. Obrigada a todos os manifestantes da noite de ontem, até mesmo aos que se excederam (afinal, convivemos por tanto tempo com os excessos da roubalheira e bandidagem na nossa política, que um pouco de vandalismo não fará mal a ninguém!), muito obrigada por transformar o nosso país. E dia 20 nos aguarde! Tomara que o nosso 20, possa ser lembrado como o dia que o Piauí acordou! Boa esperança a todos nós!

sábado, 15 de junho de 2013

Página de Diário.


...lembrando-me de um dia qualquer.

                Minha memória é meu maior algoz. Por tantas vezes já fui criticada por me lembrar de tudo. Por me lembrar das dores, das maiores alegrias, dos momentos de ternura, pelos motivos de gratidão ou de rejeição. Acredito que lembrar faz parte da construção da nossa vida, é uma forma de recriar o momento que foi vivido. Nossas memórias são a bagagem que carregamos na vida, é o que trazemos para nos fazer sobreviver diante dos caminhos que escolhemos.
                Mas como posso esquecer tudo aquilo que vivi? Por qual motivo eu iria apagar tantas experiências, emoções, sensações? Se algo foi ruim carrego como aprendizado, se foi bom será meu oásis imaginário. Preciso de um passado para ser quem eu sou no presente, preciso de um futuro para acreditar, para ter fé em dias de felicidade. E o que resta ao presente é viver tudo que se quer viver, viver o que se escolhe, viver o que dá pra viver. Talvez por este motivo eu não entenda bem as pessoas depressivas, acho que a depressão é a falta de lucidez, a falta da consciência da grande oportunidade que nos foi dada ao nascer. A vida é maravilhosa por pior que sejam as circunstâncias nas quais se vive. Temos a chance valiosa de lutar para mudar o que nos faz mal, a chance de conquistar amores, grandes felicidades, tentar realizar nossos sonhos. Não podemos esperar dos outros tudo aquilo que cabe a nós sermos ou fazermos. Não podemos esperar do outro os motivos para a nossa felicidade. O outro já tem sua vida para viver e não pode ser refém das nossas expectativas. Não podemos cobrar que o outro se torne alguém que idealizamos sozinhos. O problema é que muitas vezes as pessoas se acomodam e desistem das suas lutas.    
                Constroem ao seu redor redomas, limites, frustrações alheias, deixam-se manipular pelas religiões, pelos padrões sociais, pelas regras de tudo que se imagine e esquecem-se do principal, a sua felicidade. Ser feliz não é ter todo dinheiro do mundo, ter as melhores roupas ou os melhores carros. Ser feliz é estar livre, é vestir o que se tem, ir aonde se pode ir, estar com quem se quer estar, fazer o que dá vontade e sentir aquela paz no coração. Ser feliz é estar em paz. Não interessam os problemas, ou as contas, ou os prazos, todo mundo tem obrigações. O que realmente interessa é a consciência que só temos essa chance de fazermos as coisas darem certo, e precisamos aproveitá-la antes que caia a tarde sobre nós. E neste ponto volto ao princípio do texto, a memória. É tão valioso lembrar, lembrarmo-nos dos momentos que se viveu, afinal, em momentos de dor a memória lembra que é possível ser feliz, mesmo que por poucos instantes, ou então lembra-nos que é necessário fugir dos mesmos erros, ou que se deve lutar para mudar a realidade.
                Perdoe-me se não esqueço meu passado, mas se assim o fizer deixarei de ser eu. Cultivo sentimentos às memórias que tenho, cultivo a ternura aos bons momentos, a raiva aos que me machucaram e a gratidão aos que me ensinaram. Não tente me mudar, talvez essa seja a minha maior virtude. Não tente me prender nas suas frustrações ou recalques; não tente me domesticar, me pacificar, sou sujeito ativo apenas da minha própria vida, não tento modificar ninguém por capricho. E agora, antes que estas palavras virem livro de autoajuda coloco a caneta em um canto e vou viver o que eu quero.

Perdoem-me poucos leitores...

                Quanto de vida se passou desde o último texto?... Acho que caberiam várias vidas e histórias desde então. Desculpem-me poucos leitores por tamanho tempo de abstinência textual, tentei tantos rabiscos, tentei codificar meus escritos, tentei esconder meus sentimentos, tentei fingir que estas palavras não eram minhas, tentei fugir do meu reflexo no espelho... Mas não podemos fugir de nós mesmos! Foi a maior lição que aprendi nos últimos tempos (ou por assim dizer, reaprendi!).
                Então, volto a atormentá-los com minha tormenta constante... Escrever para fluir o que guardo em mim, o que penso no disfarçado barulho que faço. Escrever para ser feliz, para existir no mundo, ou simplesmente, escrever para curar as feridas, para conversar com quem lê, para fazer o que amo.

                Espero que vocês, meus amigos generosos ou inimigos curiosos que irão ler os textos que estão por vir, possam ter tempo para chegar ao fim de cada texto, ou paciência para terminá-los. E que venham as palavras!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Do que não foi bom.


                Existem tempos em nossas vidas que o melhor a fazer é esquecê-los. Certos momentos, certas datas e até um ano inteiro. De fato, sou adepta da teoria que tudo o que é ruim traz algo bom, seja aprendizado ou recompensa. Mas infelizmente não é da minha natureza esquecer, nem o que é bom, tampouco o que foi ruim. Já disse isto várias vezes aos meus poucos leitores... Mas sempre volto a este ponto. Para pessoas com a minha ‘natureza’ esquecer é um aprendizado dolorido.
                Não torno os momentos ruins uma obsessão da minha vida, mas os carrego sempre no bolso. O fato é que hoje estou divagando sobre os momentos que vivemos e suas peculiaridades... A força de cada momento e principalmente a força do tempo. Um segundo, uma frase, uma esquina que dobramos muda o curso de nossa história. Em um segundo podemos encontrar amigos maravilhosos que mesmo ausentes fisicamente sabemos que podemos contar sempre com eles, haja o que houver. Podemos encontrar ou perder o amor de nossas vidas. Podemos fazer tudo dar certo ou errado. Podemos perder a amizade de alguém, ganhar a admiração, ganhar ou perder o mundo inteiro. O tempo é um senhor absoluto que a todos carrega em seus braços, os guiando para um mistério ainda maior que a própria vida.
                Estes mistérios que transcendem a existência humana, os momentos vividos com ardor e o resultado que se tem ao divagar entre eles carregam uma força em si que seria medíocre da minha parte tentar definir. Confesso que tento ser imune aos fantasmas que tenho acumulado em momentos de dor. Tento a alquimia de transformá-los sempre em algo que me faça feliz, mas por vezes, essa atitude me faz sentir irreconhecível. O que é ruim tem surtido o efeito de me dar mais gana e paixão para desesperadamente alcançar minha realização de vida, ainda que eu saiba que sempre haverá algo a realizar. Assim como Sísifo, persisto em subir montanhas carregando pedras gigantescas e ao vislumbrar o topo derrubo-as ao fim da ladeira por perceber que aquela pedra precisa ser aperfeiçoada com a nova subida. Ou eu mesma preciso perseguir a perfeição durante a cíclica caminhada. As esquinas da minha caminhada tem sido sufocantes, desgastantes, e por várias vezes tem lapidado o que sou. Espero que esses momentos vividos de força obscura ou nobre não deformem o que guardo de bom. Mas se deformarem, eu espero saber renascer.
                Esta catarse de vida a que me proponho ao encarar meus diabos, é uma forma de libertação, afinal como podemos seguir em frente se encontramos abismos, lacunas, enigmas em nosso passado? Seguir em frente e aceitar a dúvida? A dúvida existe para ser solucionada. Então se faz necessário ao menos uma vez na vida olhar a tudo que passou. Lamentar se for preciso e só então seguir em frente. Este rabisco de análise do que somos é necessário para conhecermos nossa essência. Então diante da nítida imagem no espelho, encarando o retrato fiel (ainda que oculto) do que somos, poderemos nos desapegar do que não é necessário.
                Seremos livres para aceitar o tempo, aceitar que muita ferida jamais cicatrizará e que tamanha complexidade é o que se tem de mais normal entre nós humanos. Quem sabe ao alcançar tal utopia eu possa olhar para minhas memórias quase esquecidas e dizer que elas já não me fazem mal. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aquele Amor Marginal.


                Zeram os cronômetros... E reiniciam a contagem de um tempo infinito que não cabe em mim. Lembranças vivas de um passado cotidiano que ainda não aprendi a conviver. Desculpe confuso leitor, se inicio assim nossa conversa... Mas existem fatos e sentimentos que transcendem qualquer narração. Hoje repenso e divago sobre os amores perdidos; Amores frustrados que insistem em não morrer, amor que não se limita a convenção de um relacionamento, um amor humano apenas. Não falo do amor puro que vivemos livremente, falo do amor marginalizado que nem veio a nascer.
                Por vezes guardamos expectativas enormes, doamos sonhos a quem não quer ser sonhado, idealizamos noites e dias com alguém, contamos cada segundo somente para ter a oportunidade de rever aquele ser, sentir seu cheiro, dar um abraço apertado, conversar... E quando a vida conspira para que isto aconteça, simplesmente travamos. Perdemos controle sobre nossos sentidos, sobre nossa voz, sobre nossas vontades e nada fazemos ou dizemos, deixamos a tão sonhada oportunidade escapar por entre os dedos, deixamos tudo em vão. Ficamos inertes diante do amor vencido pelas adversidades.
                Quem dera se tivéssemos controle dos dias... Existem tantas histórias lindas que mereciam uma chance de ao menos ser conversada. Tanto se vive sem viver, tanto se sonha em vão, tanto se perde do que nos faz feliz. É uma constante lamentação olhar para trás e perceber o rumo que uma parte de nós tomou. Talvez tudo tenha acontecido da melhor forma que foi possível, mas sempre restará a gana de querer um pouco mais. Não sei se o meu solitário leitor já viveu um amor vão, mas reafirmo meu amigo, estes sentimentos nos marcam mais do que deveriam, destroem um pouco da nossa capacidade de sonhar. É muito complexo especular o passado e o futuro, olhar para o que ficou no ontem nos dá uma nostalgia enorme e olhar para tudo que está pela frente nos mata de ansiedade. Tento me prender ao agora, mas uma alma cheia de tormenta e divagações jamais conseguirá aquietar-se.
                O amor se manifesta de tantas formas que nos confunde. Olhamos para um filho com um olhar de amor protetor, olhamos para a mãe com um olhar de amor gratidão, olhamos para os amigos com um amor confiança, olhamos para um companheiro com um amor ternura, olhamos para tudo o que poderia ter sido e não foi com um olhar de amor marginal. Uso a palavra-sentimento Amor com a malícia de confundir e incitar aos poucos que leem estas frases confusas. Confundir-se em seus sentimentos e incitá-los a ter uma capacidade de amar sem taxatividades. Amamos o que conhecemos e o que desconhecemos. Amamos ao algoz e ao salvador. Amamos sem motivos ou com todos os motivos. Repetindo o poeta, o amor cabe em si. Mas precisamos libertar nosso coração. Disse certa vez que carrego ódios que nem mil vidas bastariam para aliviá-los, mas carrego também amores que nem todo o universo seria suficiente para demonstrá-lo. E dedico estas palavras confusas a aliviar um pouco da raiva que carrego... Raiva de acreditar quando não poderia. Sonhar quando não deveria. Calar quando tudo que eu mais queria era falar.  
                Imagino que cada dia nos reserva uma surpresa rumo a algo melhor e estranho a nossa percepção atual. Então com a fé em dias melhores, fico com a tácita torcida de rever, conversar, sonhar e aliviar o coração. Fico com a silenciosa torcida de perceber que nenhum amor será vão enquanto antes de tudo, possamos amar a nós mesmos. E perceber que tudo aquilo que nos destrói a alma também nos faz renascer mais fortes e gananciosos de felicidade. Fica a ousada torcida de acertar contas com a vida!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dulcíssima Responsabilidade.


      Tenho visto e vivido cada coisa nesse mundo... Entre as minhas tantas divagações está uma observação peculiar: a educação que os pais dos últimos tempos têm dado aos seus filhos. Depois de ser mãe um mundo novo descortinou-se a minha frente. Tenho percebido falhas no mundo que antes eram absolutamente normais para mim. Tenho ficado sensível a tentativa de melhorar tudo a minha volta na tentativa de apresentar um mundo melhor para o meu filho.
Pois bem, o que me incomoda nesses últimos tempos, é a relutância em dar responsabilidades aos filhos que alguns pais têm e pior, acham que isto é uma boa educação, estão protegendo para dar caráter. Calma, confuso leitor, vou me explicar! Exemplificando: quando crianças, os pais pagam babás para ter paciência com seus filhos ao invés de eles mesmos cuidarem, ensinarem limites, gastarem seus dias cultivando o caráter de um pequeno ser. Se o filho criança quer um brinquedo caro, os pais modernos simplesmente compram, antes de ensinarem o valor do dinheiro, antes de ensinar seus filhos a brincar com outras crianças, antes de estimularem a imaginação, coordenação motora, o corpo do filho.
Os pais modernos quando tem filhos adolescentes proíbem namoros, ou a todo custo dizem pros seus filhos usarem contraceptivos ininterruptamente, pregam que bebês estragam vidas e outras várias barbaridades. Fazem isto antes mesmo de ensinar que DST’s muitas vezes não tem cura, antes de ensinarem que relacionamentos exigem parceria, lealdade, confiança, respeito; antes de ensinarem que filhos precisam do amor dos pais, zelo, cuidado, entre tantas outras responsabilidades que só os pais podem prover.
Pais modernos, quando tem filhos jovens adultos, pregam que os mesmos tem de aproveitar a vida, estar em festas, não se apegar a ninguém, ter seu foco unicamente em ganhar muito dinheiro. Os mesmos pais que evitam que seus filhos arquem com as responsabilidades de seus atos ou conquistem seus objetivos por mérito próprio. Os mesmos pais que alimentam manias infantis nos seus filhos já adultos. Então já crescido e formado, este filho tão “bem criado” pelos pais modernos não tem noção prática da vida. Não sabem o valor do esforço, da dignidade. Acham que tudo é comprável, tudo é alcançável, tudo é permitido. Acham que sentimento é algo ridículo, que amizades são voláteis e que, como moramos no “país do jeitinho” para tudo haverá uma forma de se safar da responsabilidade. Afinal, seus pais modernos ensinaram que responsabilidade é algo ruim, que trabalho deve ser burlado, que amigos podem ser comprados assim como os brinquedos caros da infância.
Desculpe Lucas, serei sempre uma mãe bem antiga. E eu espero que um dia você entenda os valores que quero te repassar. Aprendi com a diversidade de realidades que convivi valores que nem sempre encontro nos dias de hoje. Aprendi que não importa as circunstâncias que um filho venha ao mundo, ele sempre deverá ser amado por sua mãe. Aprendi que antes do nosso bem estar devemos pensar no bem estar de quem amamos; que generosidade e altruísmo nos fazem mais felizes que a roupa cara da moda. Aprendi que amigos de verdade é um presente valioso da vida. Sei que responsabilidade, trabalho e esforço nos tornam dignos todos os dias enquanto vivermos, e que trabalho é algo maravilhoso mesmo que mal remunerado. Aprendi que nem tudo tem um jeito, nem todo problema tem solução e que para ser forte é preciso aprender a conviver com isto, e entender que nem tudo depende de nós por mais que tenhamos garra. Entender que no mundo também existem pessoas más e que não podemos ser cordeiros benevolentes 24 horas por dia. Assim como não podemos ter malícia 24 horas por dia.
Aprendi ainda que um filho é a melhor responsabilidade que podemos ter. Que o sorriso da nossa cria é mais valioso que um carro importado, que o choro acalentado e um abraço depois do nosso bebê cair nos faz sentir úteis e fortes para sempre e que é melhor ficar em casa brincando num sábado a noite do que a balada agitada da moda.
Talvez eu tenha enxergado um mundo atípico, ou talvez eu tenha nascido na época errada, não sei ao certo. O fato é que me sinto deslocada por gostar de responsabilidades, que me sinto estranha por não largar meu filho com o primeiro adulto que aparece só para estar na balada. Sinto-me diferente, mudada e não sei até que ponto isto me fará bem. O que eu sei é que mesmo sentindo falta de algumas festas de vez em quando, amo estar com o Lucas e com as minhas responsabilidades e isto me faz feliz. Depois desta confissão só me resta torcer para que os pais fiquem mais caretas... Quem sabe o mundo volte a ter pessoas com mais essência e menos aparência.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Contos Modernos



Ao desejo de dias melhores no futuro para todos nós.

         Minha filhinha, eu vou te contar uma história... Era uma vez uma princesa, ela nascera há alguns anos. Tinha tudo pra ser uma criança qualquer, não fosse o fato de que ela viria se tornar uma mulher extremamente peculiar. Isso mesmo, peculiar. Você deve estar se perguntando qual a razão deste adjetivo... Pois bem, porque sem receio de errar, até o presente momento, ela é uma mulher que provou não vir ao mundo para ser mais uma... Veio para ser "ELA"!
A primeira vez que vi esta jovem foi algumas décadas atrás, quando estudamos na mesma escola. Na época não nos tornamos amigos, no máximo conhecidos de escola e como eu me arrependo de não ter me aproximado dela! Eu mudei de escola, e algum tempo depois reencontramo-nos, agora já adolescentes. Continuamos sem nenhuma proximidade. Então algum tempo depois eu ainda não tinha contato algum com ela, mas eu sabia que havia se transformado em uma linda mulher. Por birra do destino estivemos nos mesmos lugares por vezes até começarmos a nos falar, voltamos a nos ver e desde então... Bem, acho que naquele momento, a condição de "apenas conhecidos" havia se dissipado. A partir de então, já não consigo classificar o que somos. Nós somos amigos mas eu sei que esta é uma classificação paupérrima, afinal o sentimento que cabe em momentos tão desencontrados é enorme.
Mas aonde o senhor quer chegar papai? Esta história não faz sentido algum. Disse a filha confusa ao seu pai. E o pai respondeu: Meu amor, eu sei que você é uma criança inteligente, é a melhor amiga que o papai poderia ter, é a rainha do meu coração. Essa princesa da história é um antigo amor do papai que nunca pode ser vivido. Eu amava muito sua mãe, por isso você nasceu, mas mamãe e papai não eram mais felizes juntos... E o papai reencontrou a princesa da história e ela quer te conhecer.
          Depois de alguma negociação entre filha e pai, o jantar aconteceu e mais uma família se reinventou.

...

         Família tem sido um tema recorrente nos meus últimos textos. Cada vez que penso nas infinitas possibilidades que nossa sociedade atual pode nos apresentar ao conceito de família fascino-me ainda mais. Que bom que os tempos mudaram! Viva o novo e suas possibilidades! Hoje em dia o conceito de família reforça ainda mais o que eu sempre soube... O que realmente importa entre os que dividem o mesmo teto é o amor.
         Um amor livre de hipocrisias, de preconceitos, um amor mais puro. Na situação hipotética do ‘conto moderno’ acima, é a demonstração de mais uma das infinitas possibilidades que a família tem hoje em dia. Infelizmente ainda existem dinossauros em nossa sociedade que se mostram verdadeiros paladinos da moral e dos bons costumes. Mas meus queridos, o que é moral hoje em dia? O que é moralmente aceitável em dias de nudez explicita, de criminosos eleitos pelo povo, de corrupção como sinônimo de esperteza? Pois bem, meio as minhas divagações sobre felicidade e temas afins só posso concluir que o único norte que ainda nos salva e purifica é o amor. O Amor aos ideais, amor aos humanos. É disso que precisamos. Vivemos em um tempo onde é tão fácil chamar alguém de idiota, dizer que odeia, e tão difícil abrir o coração para dizer ‘eu te amo’ e se entregar a uma possibilidade de amor.
         Tempo estranho este que vivemos... Mas essa prosinha já falou de muitos temas sem nenhuma profundidade. Então coloco a viola no saco e vou divagar em outro lugar. Mas peço aos meus solitários leitores que frutifiquem a semente desses pensamentos tão diversos. E desejo um bom amanhã a nós viventes!



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Da Política.


                Quando falo que não gosto de política partidária meio a minha família sempre parece que estou fazendo aquilo para afrontá-los ou para ser diferente. Quando afirmo isto meio às outras pessoas geralmente pareço alienada ou revoltada. Pois bem, dedico algumas linhas agora para a minha defesa. Se recorrermos aos dicionários, a definição de política é a ‘arte de governar os estados e regular as relações que existem entre eles’, se nos aprofundarmos no tema saberemos também do dever que os administradores dos estados tem com as leis que regem seu país, estado, cidade.
                A ideia utópica desta política tendo como base a nossa Constituição Federal muito me agrada. Imaginar uma sociedade justa, pautada na igualdade entre os seres, tendo um administrador com boa-fé em seus objetivos, onde todos têm as mesmas oportunidades e livre acesso à saúde, moradia, alimentação, saneamento, dignidade, trabalho, justiça gratuita e célere, uma sociedade onde todos são iguais em direitos e que o voto é capaz de representar a vontade e as necessidades da maioria, tudo isto me parece uma materialização da perfeição, o paraíso na terra, a melhor invenção humana. Quando nos deparamos com a realidade pouco disto se concretiza (sendo bem otimista). Nossa sociedade é maculada pela corrupção desde tempos remotos, o favoritismo político é visto como algo natural aos olhos da maioria, os interesses privados sempre são colocados na frente dos interesses públicos.
                Por qual motivo isto ainda acontece se nos tempos atuais temos tanta informação? Temos tanta lucidez (aparentemente) de tudo que precisa ser modificado e ainda assim velhos lobos políticos são eleitos. Qual o motivo para estarmos sempre diante da mesma sujeira eleitoral? Pois bem, se isto ainda acontece, a culpa é nossa. Sim caro leitor, a culpa é NOSSA. Afinal quem elege os representantes dos nossos interesses somos nós. Quem não fiscaliza o suficiente a forma de administração dos nossos eleitos somos nós. E pior, quem reelege os mesmos erros somos nós. Não nos falta leis, não nos falta informação, não nos falta opção, o que nos falta é coragem de exercer nosso poder de escolha. O que nos falta é coragem de pensar e formar uma opinião própria. Mas infelizmente, o que também nos falta é independência.
                Tudo bem, a maioria de nós é omisso quanto as suas obrigações de fiscalizador do Estado, mas no instante que depositamos nosso voto de confiança por 4 anos em um candidato, esperamos no mínimo que ele não nos decepcione. A propaganda eleitoral feita pelos mesmos são as cláusulas do contrato que firmamos com o nosso voto. Somos seduzidos pela esperança de dias melhores (ainda que estejamos sendo ‘favoritistas’ a nós mesmos), somos enganados pelas promessas de mudança, pela proposta de fazer diferente que muitos pregam e nada cumprem. Sentimo-nos burros quando mesmo depois de muito escolher e pesquisar o melhor candidato, este se mostra igual a todos os seus antecessores. Perdemos a esperança no mundo, perdemos a esperança nas pessoas. Perdoe-me qualquer candidato bem-intencionado se houver, mas o que nos parece é que todos querem se eleger para ter sua parte corrupta do dinheiro público. Como diria um bom professor de História que tive “nada mais conservador que a oposição no poder, e nada mais liberal que a ‘direita’ na oposição”. A ideia deste pensamento nos remete ao velho filósofo que nos ensinava que o homem era corrompido pelo meio. Nem sempre concordo com este pensamento, mas quando o assunto é politicagem isto tem muita verdade. Por mais “puro” que pareça o candidato, mais cedo ou mais tarde ele se mostra igual. Seja por não conseguir ter força política com suas utopias, ou por gostar da sujeira que encontra.
                A culpa é deles, a culpa é nossa. Eles deveriam honrar o nosso voto, nós deveríamos não nos acomodar. Quando procuramos um candidato que nos beneficie apenas (interesse privado antes do interesse público) estamos sendo corruptos. Quando eles esquecem as promessas de melhoria coletiva e procuram somente benefícios para si estão sendo corruptos. Todos nós precisamos mudar se quisermos ter uma sociedade mais justa, mais próxima do que prega nossa Carta Magna.
                Por fim, aos meus parentes, amigos ou pessoas que me incitem a discutir política, digo que não gosto desta política suja que conheço tão bem, mas ainda acredito que dias melhores poderão vir. Enquanto isto, eu tento fazer o mínimo possível, levar quem lê estas bobagens a pensar no futuro político que estamos escolhendo. Bom 7 de outubro para todos nós!

domingo, 29 de julho de 2012

Saudades do futuro.



A memória de tempos que não vivi, ao lado de alguém que não sei se existe no mundo real.

Muitos poetas falam da saudade do que não se viveu. Saudade até de tempos que não existiram. Mas como se pode ter saudade daquilo que não foi concretizado? Como posso sentir falta de algo que não foi real? Creio que as nossas vidas transcendem a estas frágeis e curtas noções. Creio que podemos sentir saudade da vida inteira que poderia ter sido e não foi.
Pode parecer confuso o que digo, pode parecer uma tentativa frustrada de costurar ideias desconexas, mas meu caro leitor olhe por cima do muro que o trava e viaje um pouco neste meu raciocínio peculiar... Nossa ideia de tempo é frágil e limitada as nossas necessidades básicas diárias, achamos que o tempo é apenas aquilo que nosso relógio marca, esquecemos que o tempo também é protagonista de nossas vidas, um protagonista que nós criamos. Se o tempo é um instante o qual ousamos descrever, significa que ele tem sua abstração. Ele não pode ser limitado àquilo que parece ser. O tempo está associado a momentos que vivemos.
Se o momento que de fato vivemos é tudo aquilo que mexe com nossas emoções e com o que há de mais escondido na alma, nossos sonhos também são momentos que vivemos. Porém, quando sonhamos, estamos numa outra dimensão que não sabemos descrever ao certo, mas que às vezes chamamos de limbo. Se viver é a realidade que nos cerca e que somos capazes de sentir, nosso limbo pode sim ser a nossa realidade. Quantas vezes sonhamos com tamanha força que ao acordar queremos voltar a dormir? Por vezes os sonhos nos consolam, são capazes de nos fazer felizes muito mais que estar acordado. Quando se trata de sonhos tudo é mais abstrato.
Meu confuso leitor, ente tantos conceitos de tempo, sonho, realidade, saudades de tudo isto, e olhando para as primeiras linhas deste texto tentando recapitular o que foi dito, você deve estar perguntando também se posso ter saudades do futuro. Eu afirmo que sim. Se o nosso futuro é um sonho do passado, daqueles que escondemos bem de todo mundo, se este sonho por algum motivo deixa de ser sonhado ou se torna impossível de realizar seja por qual for o motivo, por vezes dá saudade de sonhá-lo. Sinto falta da sensação de bem estar que ele me causava, aqueles sonhos seriam o meu futuro um dia, e se os meus sentimentos são a minha realidade, se a minha realidade é algo tão abstrato quanto minha própria noção de tempo, me perco nas sensações de passado e futuro e posso sim ter saudades do futuro que um dia quis para mim!
Passado, presente e futuro se misturam em nossa mente... Mas ainda assim, como podemos sonhar com o futuro? Os franceses denominam esta sensação de ‘déjà vu’, que em tradução livre significa ‘já visto’. Quando vivemos algo e sentimos a certeza de já ter visto aquela cena, quando conhecemos alguém neste exato momento e temos a sensação de já conhecê-lo, quando visitamos um lugar completamente novo e sentimos que já tínhamos estado lá, todas estas sensações que experimentamos nos deixam perdidos em relação a nossa frágil noção de tempo. O futuro que estava guardado no passado? Nada mais óbvio, afinal o futuro é o nosso reflexo do passado.
                Não seja simplório ao resumir tudo... Não me diga que não pode se ter saudades, por exemplo, de um tênis que não se comprou! Posso sim ter saudades da sensação feliz que a IDEIA de comprar aquele tênis me causou e ele ser meu em devaneio. Posso tê-lo desejado ao ponto de em outra dimensão ele ter sido meu. A realidade não é apenas aquilo que é mostrado na nossa frente todos os dias, a nossa realidade individual é também tudo o que sentimos, sonhamos, desejamos, experimentamos e algumas vezes realizamos. O conceito de realidade quase sempre sai da boca amargurada dos que não sonham. Não se limite a achar que a realidade é apenas o palpável, o visto. Em um mundo de máscaras sociais nunca sabemos o que é realidade ao certo.
                Passado, presente e futuro quase sempre se misturam. Sonho e realidade quase sempre é a mesma coisa. As horas estão mais soltas que o vento. O que nos falta é liberdade para entender. E agora o que me resta é saudade do meu futuro que anda perdido em algum lugar.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Vingando-se da Morte.


                A melhor forma de vingar-se da morte é ter a melhor vida possível. Nada podemos fazer para fugir da indesejada das gentes, mesmo que completemos 100 primaveras, um dia partiremos deste mundo, voltaremos ao mistério de nossa existência, o tempo fará com que fiquemos no ontem. É uma verdade cruel a nós humanos sabermos que um dia ninguém saberá das nossas dores, angústias, felicidades e conquistas do hoje.
Mas afinal, qual o sentido de tudo isto? Qual o sentido desta caminhada rumo ao desconhecido? O que podemos fazer para que tudo valha a pena? O sentido deste caminho é o rumo que damos a ele. O sentido das nossas vidas é aquele que nos faz feliz. O que nos resta a fazer é vivermos todos os momentos que nos fazem bem, nos jogarmos na vida sem contar com o amanhã, afinal não sabemos o que nos reserva o amanhã, talvez o futuro seja apenas o reflexo do que é construído no agora. A nossa fragilidade humana cria expectativas de um amanhã para que nos limitemos, possamos nos manter calmos e conformados, mas meu esperançoso leitor, se nós formos capazes de olhar por cima do muro que nos trava, veremos, não existe nada além do reflexo do agora.
                Por vezes tentamos viver o passado, noutras tentamos viver o futuro, nos perdemos meio as nossas expectativas e tentamos viver todos os dias de uma só vez. Mas não conseguimos. Um dia de cada vez. Só assim aguentamos carregar toda a nossa bagagem, toda a história da nossa existência. Dosar o tempo não é tarefa fácil. Aliás, o que é o tempo? O tempo é a tentativa frustrada do ser humano controlar o amanhã. O tempo é a tentativa sem sucesso de cada um de nós sabermos o que nos reserva a página seguinte. O tempo é a ilusão que criamos a cerca do amanhã. Os dias, o tempo, o futuro, todos são segredos criados por nós, segredos que misteriosamente nos acalmam.
                Solitário leitor, se me perguntares por Deus, se você argumentar dizendo que Deus tem um plano especial para as nossas vidas, eu retruco respondendo com algumas perguntas: E as nossas escolhas, também são planos de Deus? Somos fantoches do abstrato criador de tudo? Não seria egocentrismo achar que com tantos problemas no mundo, tantas doenças incuráveis, tanto caos sobre a terra, Deus se importaria com as bobagens que nos afligem a cada 5 minutos? Não acho que Deus em sua infinita bondade seria tão passivo para assistir tudo e nada fazer, assim como não posso crer que Deus seria um carrasco de castigar nossos pequenos delitos diários. Não posso crer que Deus seria o reflexo semelhante de tamanha imperfeição humana. Não posso crer que nós humanos limitados seríamos capazes de entender Deus. Mas ainda assim creio que a ideia Deus nos faz bem. É muito cruel imaginar que estamos sozinhos, que nada faz sentido, que nada podemos fazer contra a morte, que somos apenas resultado da evolução de outros animais.
                Meio a tantos mistérios existenciais, meio a tantas dores sem motivo, meio a tantas ilusões que nos consolam, seguimos nossas vidas, carregamos a beleza desta chance maravilhosa que temos para fazermos o melhor pelo semelhante e por nós mesmos. Carregamos a chance de sermos felizes todos os dias. E a nossa felicidade, a nossa cura, a nossa paz interior só depende do que construímos dia após dia.